Para a História da freguesia.
Ir à missa ao Casal Martelo.
Remonta aos nossos tempo de criança e, certamente a muitos outros desde há séculos, a expressão, dos nossos antepassados e vizinhos:-- Hoje fui... hoje foste...--ou fulano foi tal dia...à missa ao Casal Martelo... para dizer simplesmente, que não se foi, culpado ou culpadamente cumprir o preceito da Santa Igreja, de ouvir Missa nos Domingos e dias Santos de guarda.
Em pequenos, nem sabíamos o que queria dizer nem onde era o Casal Martelo. O tempo tudo foi descobrindo. A final é ali em cima a tal dita Capela, com seus devotos, talvez culpados, mais que inculpados, na confluência do Casal da Ladeira, freguesia de Santa Eufemia, hoje, antigamente dos Pousos, com os Soutos, da freguesia da Caranguejeira.
Os anos rolaram e a vida de trabalho com eles. Mas em 1975 quis conhecer o local. É à beira da estrada alcatroada, que vai da Charneca do Balhadoiro, logo depois da Cruz de Melo, para os ditos Soutos e Caranguejeira. Lá estão as paredes e o portal, ao jeito de Capela e na verga deste, muito bem gravado:"1626".
Esta velharia toda, a que só falta telhado e arranjo, afirma-nos que ali existiu o dito Casal Martelo, alias, perto ainda estão vinhas, com gente afidalgada, possivelmente, e que das duas uma: ou nunca teve missa, ou, em certa altura a deixou de haver lá, e nas terras e nas terras em redor, se começou a dizer: Foste à Missa ao Casal Martelo...Ou fui...à Missa onde nunca a houve... ou não há...
Nem somos por uma nem por outra versão. Entretanto disse-me alguém do Soutos que, ao terraplenarem a estrada, encontraram ossadas humanas. O que é certo porém, é que a expressão: foste à Missa ao Casal Martelo, para exprimir que a ela não se foi, é conhecida ainda hoje, na Caranguejeira, Santa Catarina, Arrabal, Cortes, Barreira, Parceiros, Barosa, Marrazes, Milagres, Colmeias, Boavista, Santa Eufemia e Pousos.
Será excesso ou falta alguma terra mais?
O Senhor Agostinho Duarte dos Santos comerciante na Opeia - Caranguejeira, Afirmou-nos que ouviu esta expressão: Fui a missa do Casal martelo em terras de Aveiro e que ela é conhecida, mais para o Norte, também.
O que é de lamentar é que haja católicos de nome, que façam e desfaçam mandamentos, eles que não dão um passo sem eles...
Só doença ou causa grave, nos poderá dispensar do mandamento da Santa Igreja, agora governada em nome de Jesus seu Divino Fundador, pelo S. Padre João Paulo 11 que tem a missão de falar aos homens e lhes dizer que então neste mundo; --conhecer, amar e servir a Deus e não viver como simples animal a comer, a trabalhar, muito embora, e a dormir, pois tem um fim sobrenatural e eterno que é, depois de esta vida contemplar, para sempre no céu, a face de quem nos criou e remiu com o Seu sangue. Muitos milhões de homens acreditam que é assim.
Quem esta verdade não acredita e para ela não vive, nada sabe. Vale menos que uma ervita que rasteja pelo chão.
Mais Além Janeiro/Fevereiro 1979
Padre José Carreira
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Instrução Primária
Entrevistei há dias o casal José de Sousa Orjado e Maria Miguel, sua esposa, nascidos neste lugar das Quintas, ele, a 12 / 3 /1893 e ela a 13 / 1 / 1901, onde sempre viveram felizes, na sua vida agrícola e aqui estão, ainda com ela boa saúde a passar as últimas férias desta vida e se preparam para a Eterna, porque nela acreditam.
O assunto falado foi a escola que ele ainda frequentou, na Quinta do Sirol, onde agora é a oficina de bicicletas. Era então alí Professor um tal Sr. Morais que morava no Padrão. Passou depois à escola da Boa Vista que era onde agora está a residência paroquial e tinha ali como Professor, o Sr. Portela, dos Pinheiros.
De facto, na Quinta do Sirol, deve ter existido a 1ª Escola Primária desta antiga zona da freguesia dos Pousos.
A seguir terá sido, neste lugar das Quintas do Sirol onde o taberneiro Manuel Andrino, politiqueiro da terra, construiu o edifício que ainda ali está, e não era mau, para esse tempo, pondo-o ao serviço da autoridade competente para a escola.
Que nos conste foi aqui professora interina D. Júlia de Jesus Costa ou melhor D. Júlia Pinheiro da Costa que era de Maceira, para onde retirou a pedido do seu parente e Prior inesquecível daquela freguesia, o Rv. Cónº José Pereira da Costa, a 31 /7 /1919. Eu próprio vi o que ela escrevera: « Fui nomeada professora interina das Quintas do Sirol, a 12/2/ 1908».
Faleceu em Maceira, a 2/4/1959 e ali tinha nascido, a 18/7/1888. Fora tal a sua benéfica acção, ali, que as suas antigas alunas lhe prestaram póstuma e grata homenagem a 8/2/1908. Seja-me grato recordar aqui, quem segundo julgo, lhe sucedeu, D. Maria Luisa Ferreira Gaspar..........................
Era natural de Leiria, filha única e morava em casa própria, com seus pais, ao cimo do terreiro. Modelo de filha, de católica, mãe de seis filhos, e professora; deu-me muitas canadas, mas devo-lhe muito, com os do meu tempo. Nasceu em Leiria a 30 /12 / 1897 e aí faleceu a 4 /5 / 1941. Que nenhum de nós e aqueles que tiveram a dita de ter como sua mãe, a não esqueçam.
Na Quinta do Sirol era Professora no meu tempo, D. Vergínia Duque, residente em Leiria, passando mais tarde a residir em Vª. Nª de Ourém, onde há dias vim a saber falecera recentemente.
Posteriormente e a seguir a D. Maria Luísa, veio para as Quintas do Sirol, D. Maria Emilia Mendes que exerceu ainda na
escola velha. No actual edifício novo, onde entre outras, esteve D. Maria da Glória Martinho, são agora zelosas professoras D. Maria Luisa Ferreira Costa Bernardes e D.Laurinda de Sousa João Patrício.
A escola da Quinta desapareceu, quando começaram a funcionar outras escolas; a dos Apariços, há cerca de 50 anos com D.Laura Faria, irmã do Sr Prior Faria dos Pousos; A da Caxieira há 33 anos e a do Souto de Baixo ainda não há vinte anos.
As senhoras Professoras são obreiras da grei Portuguesa, verdadeiras mães das nossas crianças, ou devem sê-lo. As que foram para o Pai e na terra guindaram para as alturas as nossas memória, inteligência e vontade, a nossa eterna gratidão e que o Senhor as tenha recompensado já.
Às sacrificadas obreiras da hora presente, que além da recompensa de terem servido Deus e os homens, de quem todos somos filhos
Mais Além 1978
Entrevista de Padre José Carreira
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Uma conversa com o diácono Jorge, ordenado em Santa Eufemia
Foi no passado dia 25 de Julho. Era domingo e um dos bons dias de Verão. Na nossa igreja celebrava-se, nesse dia a ordenação de diácono do nosso conterrânio, o seminarista Jorge Manuel Faria do Lugar da caxieira.
A paróquia viveu momentos de alegria. Foi a primeira vez que se fez uma ordenação na nossa igreja que estava repleta de fieis, vindos também doutras paróquias da diocese e até de outras dioceses. O seminário estava bem representado, por alunos e superiores. O senhor Bispo estava feliz bem como o nosso pároco, o Rv. Pe. Joaquim Duarte Pedrosa . A ordenação foi feita durante a celebração da Eucaristia, logo após a proclamação do Evangelho. À homilia o senhor D. Alberto referiu os compromissos que assume o diácono e como se sente no momento da ordenação: viver em celibato e celebrar a liturgia das horas.
O que foi este dia, qual é a função do diácono e como se sente o novo diácono, são algumas das perguntas que lhe queremos fazer.
«Mais Além » --Jorge, a sua ordenação de Diácono foi, certamente, um momento importante na sua vida. O que foi para si o passado dia 25 de Julho?
Diác. Jorge--Foi o dia da minha consagração a Deus. Ele chamou-me e designou-me para viver para si, para desempenhar um
ministério na igreja. Depois deste dia posso dizer como S. Paulo: « dou graças Àquele que me confortou a Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança, chamando-me ao ministério»( Tim.1,12).
Mas devo dizer que o sim, que disse a Deus nesse dia, já vem de há alguns tempos atrás. Em determinado momento da minha vida, Deus fez-me descobrir como tudo o que é humano passa: as riquezas, a fama, os projectos, etc..Só Deus não passa o que é marcado pelo seu amor. Diante do amor de Deus, decidi-me por Ele e escolhi-o como o tudo da minha vida.
Fui procurando viver para Deus, fazendo a sua vontade, ponde em prática o Evangelho que eu fui descobrindo a vontade de Deus sobre mim. Ora, no dia 25 de Julho eu entreguei-me, confiei-me para o serviço de Deus, servindo a igreja, desempenhando o ministério de Diácono com humildade e caridade e comprometendo-me a guardar o mistério de fé em consciência pura e a proclama-la por obras e palavras.
«Mais Além»-- Mais ou menos, todas as pessoas sabem qual é a função do padre, o que é que ele faz. Mas pouca gente sabe quais são as funções do Diácono. Pode dizer-nos o que faz ou o que pode fazer o Diácono?
Diác. Jorge--
Aos padres estamos habituados a vê-los e a recorrer aos seus serviços. Um Diácono, ente nós, quase ninguém o viu nem sabe que existe. Por isso as pessoas não sabem quais as suas funções Esperemos que com a restauração do diaconato nado permanente, isto é, para pessoas, casadas ou não que são ordenadas para viverem como diáconos durante toda a vida, ao serviço das comunidades, que com essa restauração, dizia, já possamos familiarizar-nos com a missão dos Diáconos, como tem o seu modelo em Jesus que serve: « Eu vim para o meio de vós como aquele que serve » (Lc. 22, 26-27). Os actos dos Apóstolos e outros livros do Novo Testamento fala-nos dos diáconos Estêvão, Filipe e outros que se dedicavam a várias tarefas, entre as quais sobressaíam o anúncio do evangelho
Mais Além Julho/Agosto 1982
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A descoberta da minha vocação
Participando na minha ordenação sacerdotal ou assistindo a minha primeira missa solene, muitas pessoas terão desejado saber como nasceu em mim a vocação para ser padre e como ela se desenvolveu. É o que me proponho contar nestas linhas.
A vocação é sempre um diálogo de amor entre Deus e aquele que é chamado. Diálogo em que intervém outras pessoas e que se efectua no seio da comunidade cristã, que de vários modos nele participa.
Tu me amaste, Senhor!
Na minha família e na catequese aprendi a conhecer e a amar a Deus. Recordo-me particularmente, de rezar o terço em família todos os dias à noite, e de fazer as orações da manhã antes de ir para a escola.
Um dia, depois de uma reunião para crianças, disseram-me para escrevermos o que queríiamos ser no futuro. Eu escrevi que queria ser: padre missionário ou engenheiro. No final do primeiro ano da telescola, o Senhor prior perguntou-me se eu não queria ir para o seminário. Respondi que sim.
A minha entrada para o seminário era o meu sim à descoberta da minha vocação, o perguntar ao Senhor: que quereis de mim?
Era esta pergunta que durante estes primeiros anos eu procurava fazer. Confiei a minha vocação a Nossa Senhora, e foi ela a ajudar-me no meu caminho, com o seu sim e o seu conselho:« Fazei tudo quanto vos disser».
Conhecendo o movimento dos Focolares, aprendi a executar e a por em prática no meu dia a dia o Evangelho. Encontrei assim na palavra de Deus o caminho e o modo de responder ao amor de Deus por mim. De facto, diz Jesus: « se alguém me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós veremos a ele e faremos nele morada» (Jo.14,23).
Ultrapassando as dificuldades que a idade ea vida de seminário me traziam, fui avançando, ajudado pelos superiores e outras pessoas. ,
Tu és tudo para mim, Senhor!
Terminado o seminário menor, fui para Coimbra para estudar a teologia. Nas férias do primeiro ano, participei num campo de trabalho no norte da Itália. Alí, eu entendi que tudo o que é humano passa e que não podia confiar nos meus planos ou aspirações. Deus deveria ser tudo para mim. Antes que eu O amasse já Ele me amava a mim. Ele deveria ocupar o primeiro lugar na minha vida. Compreendi então que a minha resposta não podia ser outra que o amá-lo com o meu pobre coração, fazendo sempre a Sua vontade e amando-o nos irmãos, no próximo.
O problema da minha vocação, vendo-o a esta luz, seria apenas o descobrir a vontade de Deus sobre mim e o confiar-me à Sua palavra que diz «a quem Me ama, eu Me manifestarei».
Regressando ao seminário, no final das férias, levei comigo esta descoberta. Procurando viver na vontade de Deus que me era manifestada de várias formas, eu encontrei o caminho da santidade e da minha realização como cristão e, com isto, a luz, a alegria e a paz para contribuir para o crescimento da comunidade de que fazia parte.
Durante estes anos, a vida de seminário, o estudo da teologia e a experiência de comunhão e unidade de que fazia com outros seminaristas no movimento dos focolares, ajudaram-me a crescer, a amadurecer e a seguir o caminho que Deus parecia indicar.
Tu me esolheste, Jesus!--Ex-me aqui!
Aproximando-se o final dos meus estudos, parecia-me que Deus me chamava de verdade ao sacerdócio. Da minha parte, achava-me disponível para seguir a Sua vontade; faltava-me, porém, a confirmação clara, da parte dos meus superiores, de que Deus me chamava a consagrar-me totalmente a Ele, sendo padre. Então fui junto deles e perguntei-lhes. Diante do seu parecer favorável, senti-me de verdade escolhido por Deus: «Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi a vós, e vos destinei para que vades e deis frutos e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes a Meu Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda».(Jo.15-16).
Assim, sentindo-me escolhido por Deus, depois de toda esta caminhada, disse o meu sim ao Seu amor, aceitando que Ele me consagre ao seu serviço e me envie para para o meio dos homens como testemunha e instrumento do Seu amor para, em Cristo, unir todos numa única família.
Onde encontro a força e a coragem para seguir este caminho e participar na missão da igreja? Encontro-a em Cristo crucificado, o qual venceu e pagou por todos os sofrimentos e abandonos; Nele tudo posso, como diz S paulo (fr.Fil. 12,13). Encontro ainda em Jesus Ressuscitado que prometeu permanecer sempre na Sua Igreja e garantir a sua presença « onde dois ou três estão reunidos no Seu nome».
Agradeço a todos quantos, de algum modo, me ajudaram nesta caminhada e peço-lhes que me continuem a ajudar com a oração, o testemunho e o estímulo. A todos prometo pedir a Deus Pai, Filho e Espírito Santo que os abençoe e os acompanhe nas suas vidas e por toda a eternidade.
Mais Além Maio/Junho 1983
Pe. Jorge Manuel Faria Guarda
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Sr.ª Dr.ª Maria Helena de Paula Saraiva Baeta da Beiga deFigueiredo
Em 11 de Abril foi prestado calorosa homenagem à Sr.ª Dr.ª Maria Helena de Paula Saraiva Baeta da Beiga deFigueiredo, promovida pelo Conselho Clínico do Hospital D. Manuel de Aguiar, de Leiria.
Nascida em Góis, a 14-4-1921, veio para Leiria com um ano de idade trazia por seus pais, que aqui fixaram residência, por seu Pai Alberto Baeta da Veiga ter sido colocado como médico Militar no Regimento de Infantaria 7.
Tendo feito os estudos primários e liceais no Colégio de N.ª Srª da Fátima, nesta cidade, veio completar o 7.ºano no liceu D João terceiro, em Coimbra, em cuja universidade, se licenciou em Medicina e Cirurgia. Fez Estágios voluntários em Obstetrícia e em pediatria. Casou com um seu colega, o Sr.Dr Moreira de Figueiredo, tendo 3 filhos e ficando a viver em Leiria.
Entrou ao serviço do nosso hospital no dia 5-7-1948, tendo exercido ali várias: médica adjunta dos serviços de cirurgia de mulheres, obstetrícia, ginecologia, anestesista, consultas, tratamentos, visitas diárias, histórias clínicas consulta externa de Pediatria, cirurgia especialmente maxilo-facial, cuidados post-operários, colaboração nos serviços de transfusões de sangue etc.
Além destas e de outras funções hospitalares a favor da saúde dos enfermos, que em numero crescente, têm vindo a aumentar no Hospital de Leiria, a Sr.ª D. Maria Helena ainda se ocupou de mais serviços, aproveitando os notáveis conhecimentos adquiridos não apenas em Coimbra, como dissemos, mas ainda noutros lugares, em estágios, em cursos de especialidade e na experiência, que também é fonte de apreciável saber e mérito.
No banquete de homenagem, em que participaram cerca de duas centenas de pessoas, a bem conceituada homenageada esteve lidada pelo Dr. Quintela ( Director do já referido Conselho Clínico) e pelo nosso Governador Civil ( Dr. Rui Garcia da Fonseca).
Refeição muito agradável, estabeleceu um autêntico convívio de amizade em aprazível ambiente de calma e serena manifestação fraternal.
Foi ainda Feliz para ali se dar prova bem válida de quanto se tornou credora a Sr.ª Dr.ª Maria Helena. A exprimir tudo isso, que muito havia para declarar, estão as palavras eloquentes e ricas de conteúdo alí proferidas, bem como as amistosas saudações recebidas e lidas no momento oportuno pela Sr.ª D.Fernada Santos, durante longos minutos.
A paróquia de Santa Eufemia, que tanto tem beneficiado da sua actividade médica e humana, sente-se muito grata e associa-se à merecida homenagem à Sr.ª D.ª Maria Helena.
Conhecida em toda a paróquia, onde passa largos períodos de tempos na sua bela moradia, na Quinta dos Ferreiros, em todos tem um admirador e um amigo.
À Sr.ª Dr.ª Maria Helena os nossos respeitosos cumprimentos de parabéns e estima.
Mais Além Abril/Maio 1987
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Homenagem a uma professora
A paróquia de Santa Eufémia homenageou, no dia 6 de Setembro, a sr.ª D. Maria Emilia Mendes, que na escola das Quintas do Sirol, exerceu o seu menus de professora, de 1936 a 1953, ministrando a instrução primária a mais de mil alunos.
A homenagem começou na igreja paroquial, repleta de fiéis, com a Missa de acção de graças concelebrada pelos mais velhos dos seus ex-alunos: Pe. António Rodrigues Ferreira, da Congregação do Espírito Santo, e Manuel da Fonseca Moreira. O almoço-convívio, junto à igreja, decorreu num ambiente familiar, servindo de protesto para recordar velhos tempos e velhos amigos, e, ainda alguns episódios.
Na sessão solene, no centro paroquial, foram enaltecidas os dotes de competência, consciência e escrupuloso cumprimento dos deveres profissionais da Sr..D.Maria Emilia Mendes. A sala estava cheia. Na mesa de presidência, ladeando a homenageada, viam-se entre outros a sua irmã Adelaide Mendes, funcionária aposentada dos CTT de Leiria, o senhor Prior e as actuais das Quintas. Houve poesias e canções do primeiro treino, sem esquecer a poesia e o canto da entronização do crucifixo, feita pelo saudoso Prior dos Pousos, o falecido P.António Antunes Antunes de Faria , Falaram os Srs.Manuel Antunes de Olival e o Dr.José Gaspar, Que traçaram o perfil da grande educadora que desprovida de todos os meios pedagógicos modernos, e completamente só para atender mais de 70 crianças da 1ªa 4ª classe, ainda tinha tempo para brincar com elas nos recreios.
Bastante exigente e compreensiva, fazia tudo para que desabrochassem ao máximo os dotes dos seus alunos, não descuidam do os seus deveres c ívicos e religiosos. Recordaram a exemplar competência e capacidade de trabalho da senhora professora, o seu amor e brio por que os seus alunos fossem bem preparados para os exames, podendo ufanar-se de nunca algum aluno seu ter reprovado e de um grande número ter sido aprovado com distinção; para tanto não olhava as horas extraordinárias, que sempre gastava com os examinadores, muitas semanas antes dos exames.
Foram entregues à D. Maria Eíilia e sua irmã Adelaide um lindo ramo de flores, uma imagem de N.Sr.ª da Conceição, um quadro oriental e uma vela colorida, e lindas mensagens de congratulação dalguns ex-alunos impedidos de estarem presentes, bem como um telegrama do Sr inspector Escolar. Soubemos mais tarde que muitos antigos alunos se lastimaram de não terem tido conhecimento da homenagem pois gostariam de estar presentes.
A sessão decorreu em ambiente próprio de familia, com toda a simplicidade e espontaneidade. Não faltou a poesia, composta para a ocasião, pela pela filha duma ex-aluna, recheada de admiração e louvor à professora de sua mãe e à sua professora, também ex-aluna da D. Maria Emilia.
No final, a homenagem disse algumas palavras de agradecimento, muito emocionada.
Pela tarde fora, na igreja velha, houve um programa de variedades pelas filhas dos ex-alunos pertencentes ao Grupo Infantil de Santa Eufemia, ensaiado pela dinâmica orientadora Teresa Moreira Antunes, coadjuvada pelas irmãs Bemilde e Benvinda.
Nada mais reconfortante, sobretudo quando os anos pesam, ver o nosso trabalho e dedicação devidamente apreciados. A homenagem levada a cabo pelos antigos alunos da D. Maria Emilia Mendes sensibilizaram-na bastante. Concretizando-a, não fizeram mais do que pagar uma dívida de gratidão, há muito em aberto. Bem hajam.
«Jornal mais além » Outubro1981
P. Moreira
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