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Castelo de Leiria.

Localização Administrativa Freguesia Leiria
• Freguesia-- Leiria
• Concelho-- Leiria
• Distrito ---- Leiria
Localização Cartográfica
• Altitude 82-- metros
Cronologia
• Último Período Medieval e Época Manuelina
Património
• Imóvel classificado de interesse público
Caracterização
• Concelho com 119 319 habitantes
Propriedade do Castelo
• Pública estatal
Acessos
• Largo Dr. Manuel de arriaga
• Largo Artilharia 4
• Largo de São João Pedro que liga à calçada de acesso ao Castelo
Horários de Abertura
• 2ª a 6ª das 9h às 17h30m
• Sábado e Domingo 10h às 17h30m
Actividades Culturais
• Exposições
• Almoços Medievais
• Colóquios, palestras, etc.
Contacto do Castelo e da Região de Turismo
• Telefone 244813982/244823773
• Fax 244833533
• Fax 244833533
• E-mail rtleiria.fatima@mail.telepac.pt
• www.rt-leiriafatima.pt.
Visitas
Só solicitando à Câmara Municipal
Alojamento.
• Hotel Eurosol, Hotel Dom João III, Hotel de São João, Residencial Ramalhete, Residencial São Francisco, Residencial Dom Dinis, Pensão Leiriense, Pensão Alcoa.
Restauração
• A Casita, A Loca, Aquário, Fonte do Liz, O Manuel, Reis, Ribatejano.
Gastronomia
• Feijoada de Chocos, Ensopado de Borrego, Freitada à Moda de Bouça
• Brisas do Liz, Bolos de Pinhão, Canudos, Ovos Folhados.
Museus
• Museu do Seminário Diocesano de Leiria, Museu do Sporting Clube de Portugal, Museu Escolar,Fundação Mário Soares - Casa Museu, Centro Cultural João Soares.
Feiras e Festas
• Festa do Corpo de Deus, Festa da Nosso Senhora da Encarnação, Festa de Santo Amaro, Festa do Menino Jesus.
Estado de Conservação
• 1990 - recuperação de parte da muralha que ruíu pela construção de aterro para assentar campo de jogos, deslocação do mesmo campo e desaterro de•terras para cota igual à do restante adarve que circunda a muralha; reconstituição do muro em betão ciclópico, com a face externa em alvenaria de pedra;
• 1994 - reconstrução de troço de muralhas;
• 1997 - valorização e reparação da torre de menagem
.Número de Visitantes
60 / 70 mil.
Preço
• 0,75€
• 0,40€ para cartão jovem e pessoas com mais de 85 anos
Sinalização
• Existente dentro da cidade
História do Castelo
• O Castelo foi tomado aos mouros por D. Afonso Henriques em 1135. Ordenação a ocupação de toda esta área pelo primeiro rei português, o castelo foi reconsquistado pelos muçulmanos cinco anos depois. Voltou para a posse cristã em 1142, apesar de ainda ter sofrido um novo ataque islâmico, após o qual em 1190, é parcialmente reedificado por D. Sancho I. Por estas vicissitudes se compreende a sua importância estratégica no século XII, periodo em que, na vasta zona da Estremadura fazia parte do extenso sistema defensivo de Coimbra, Santarém e Lisboa. O que existe hoje no castelo é, essencialmente das épocas de D. Dinis D. Fernando e D. João I.
Tipologia
A rquitectura militar, civil pública, religiosa, românica, gótica, com ampla intervenção no séc. 20. Castelo de planta poligonal, com forte sistema defensivo rodeando o reduto central onde se encontram o Paço Real, construção gótica, cuja "loggia" domina a cidade, a Igreja da Pena, de uma só nave e capela-mor com ábside poligonal e a Torre de Menagem, prismática, rematada por merlões quadrangulares e encimada por terraço.
Bibliografia
planeta.clix.pt/castelos/Ira/Ira/leiria.html
castelos de portugal.no.sapo.pt/leiria.htm
www.regiaocentro.net/lugares/leiria/castelo.html
ficha ipa
"A Gloriosa História dos mais belos castelos de Portugal" Portocalense Editora, 1969 Prof. Dr. Damião Peres e Pintor Gouvêa Portuense
"Tesouros artísticos de Portugal" Selecções do Reader's Digest, 1976 Orientador e coordenador Dr. José António Ferreira de Almeida
"Os castelos na história de Portugal" Edição do Autor, 1964 Jorge de Figueiredo
"As mais belas cidades de Portugal" Verbo Editora, 1995 Júlio Gil e Nuno Calvet
Folhetos informativos disponibilizados pelos Postos de Turismo
As Invasões Francesas em Leiria
Daniel Lacerda, (ver artigo publicado num destacável do Jornal de Leiria, nº 1095, de 7.7.2005) na sua investigação sobre as "Acções das tropas napoleónicas na região de Leiria", relata assim alguns acontecimentos passados em Janeiro de 1811, descritos por uma comissão de militares franceses, seis anos depois:
O relato, muito realista, refere ainda que "na crise fatal em que o exercito estava reduzido, a necessidade mais imperiosa, a fome, fazia-se constantemente sentir. 0 soldado acusava os habitantes do seu cansaço e sofrimento (...). Portugal tornou-se um teatro repelente de assassínio e de carnificina".
A situação do exercito francês, longe de melhorar, tornava-se cada vez mais difícil. A raridade de viveres aumentava de dia para dia. A região de Alcobaça e de Porto de Mós haviam feito viver durante algum tempo o 2° e 8° corpos; em breve essas zonas se esgotaram e foi necessário procurar os viveres mais longe. Os destacamentos avançaram primeiro ate ao Lis, percorrendo toda a região entre o rio e o mar até a altura de Leiria. Pequenos depósitos intermediários se criaram a beira do Lis, do Soure e do Mondego. Cada corpo se encarregava de ai manter um pequeno numero de homens. Cada parte dessa tropa possuía funções diferentes: uns estavam constantemente ocupados a examinar os campos, os montes, os lugares mais escarpados, as ilhas no meio dos rios, com vista a descobrir o que os habitantes haviam escondido, e transportavam-no para o deposito. Ai, os outros encarregavam-se de encurralar o gado, de moer o grão, cozer pão e biscoito e de destilar aguardente, já que o vinho era difícil de transportar.
As Invasões Francesas (1808-1812), a maior tragédia de Portugal nos últimos 200 anos, com o seu cortejo de mortes e devastação, também deixaram marcas no distrito. A violação dos túmulos de Pedro e Ines, no Mosteiro de Alcobaça, pela soldadesca do marechal Drouet d'Erlon, ainda fere os olhos e a memória de quem os visita. Mais trágico ainda, o desastre da Ponte das Barcas, no Porto, continua a ser religiosamente lembrado pelo povo da Ribeira. 0 "Couseiro" regista uma estatística de cerca de 29 mil mortos entre 66.500 habitantes do Bispado de Leiria. Saques, incêndios e morticínios selaram a passagem dos franceses pelo distrito. Mas também houve insurreição, luta e resistência contra o invasor.
Incrustada no muro que separa a antiga rua dos Mártires (hoje rua Dr João Soares) da igreja da Portela, em Leiria, uma placa gasta pelo tempo, ali colocada em 1929, simboliza mais o abandono a que tem sido votada do que a sua razão de existência. Aquele pedaço de pedra suja, com caracteres meio apagados, homenageia "Aos bravos leirienses caídos neste lugar em defesa da Pátria em 5 de Maio de 1808 e aos mártires aqui trucidados nesse dia pelos franceses do general Margaron como homenagem e valor - 5.7.1929 . A LN 26 de Maio ".
João José do Souto Rodrigues, "bacharel em leis" em Leiria, num dos raros documentos da época descreve o avanço das tropas francesas, avaliadas em mais de quatro mil homens, pela estrada real, vindas da Batalha, e o cerco a cidade do Lis onde terão assassinado 121 pessoas.
Com a ala direita a marchar pela Mourã, e a esquerda pelo Barro Ruivo (passando pela Costa do Castelo), o avanço, em pinça, conheceu alguma resistência na Portela (local assinalado pela dita placa) quando a cavalaria, protegida por bocas de fogo colocadas no Alto Vieiro, investiu contra os defensores de Leiria.
"Marcharam pois essas tropas assim divididas contra nós fazendo fogo contínuo para todos os lados; mas aos poucos dos nossos também empregaram os seus tiros, de sorte que não foi muito pequeno o numero de inimigos mortos", refere Souto Rodrigues. Segundo o cronista, a desproporção de forcas ditou a sorte da contenda, "tendo morrido na acção 40 homens nossos, como atestou o pároco que assistiu ao enterramento".
Findo os combates, os franceses, com a imoralidade que caracteriza um exercito de ocupação, rivalizaram uns com os outros em selvajaria.
Souto Rodrigues evoca a morte de "mulheres, crianças, homens aleijados e desarmados", a perseguição dos que "iam fugindo pelos arrabaldes", a pilhagem de casas e do Convento de S. Francisco, tendo sucedido o mesmo "na quinta de Carlos Barba ao Seixal (um fidalgo da cidade), aonde, além de terem morrido ás mãos dos inimigos outras nove pessoas, ficaram feridas algumas mais que depois morreram"
Os saques e os assassínios não ficaram por aqui. Intitulado "Memoria dos mais notáveis acontecimentos que houve em Leiria e seus contornos", oferecido por Souto Rodrigues "ao publico da mesma cidade", o folheto conta como os homens foram levados para o sitio de S. Bartolomeu (entre a actual prisão-escola e o edifício da Câmara) onde "os picaram por todo o corpo a espada e a baioneta, como disseram os que não morreram logo nesse acto".
Descrita também e a "vileza de espírito" do general Margaron que "se atreveu a manchar a sua espada no sangue de um paisano dos nossos, que por inércia foi apanhado sem ter largado a arma na praça junto as grades da cadeia, e nesse estado foi que o dito general o picou com a espada querendo atravessá-lo, e como não o fizesse lhe mandou dar fogo, de que morreu".
Finda a mortandade, os franceses, que instalaram o quartel general no Paço Episcopal, correram ao saque da cidade e arrabaldes. O que também impressionou o cronista foi terem roubado os vasos sagrados, os sacrários, e terem entornado pelo chão, e feito consumir sacrilegamente as Sagradas Formas nas igrejas das freguesias de Azoia (onde transformarão a igreja em estrebaria), Parceiros, do Arrabalde, na do Convento de S. Francisco, e em outras nas vizinhanças desta cidade".
A 6 de Julho, um dia depois de ter entrado na cidade, o general Margaron, após ter ordenado o enterramento dos mortos, retirou-se para o Alto Vieiro, receando um contra-ataque das milícias portuguesas.
As atrocidades contra o povo de Leiria durante a primeira invasão ficaram assim registadas num folheto de 20 paginas, a que o Jornal de Leiria teve acesso, graças a diligência de uma jovem livreira, Liliana Queirós, da Marinha Grande, cuja presença nas feiras de velharias da região e uma constante.
Mais uma história sobre o que se passou em Leiria
«3 de Outubro de 1810 — Marchou toda a divisão pelas quatro horas e meia da manha, e veio ficar a campo ao pé de Parceiros a saída de Leiria a parte direita, na distancia de um pequeno quarto de légua. Ao passar pela cidade, nem uma só pessoa conhecida encontrei, e menos me foi possível obter noticias; somente o meu camarada me participou que tinha ali ficado o cónego Arnaut. Parecia incrível como em um instante se despovoou a cidade! N'este dia nada se soube marcha dos franceses em nosso seguimento, e unicamente ouvi dizer que se havia interceptado uma carta de Massena, datada de 25 de Setembro, em que dizia, que nunca tinha feito a guerra em um país semelhante onde não achava uma pessoa nem para levar uma carta nem para servir de guia; que ele, n'aquelle dia, estava perto de uma altura, vencida a qual contava entrar Coimbra; e que a causa que havia para todo o povo fugir, era a de terem os ingleses assassinado muita gente, para que assim o fizessem por forca. — D'esta carta concluo, que quando Massena estava tão desanimado, que faria depois da perda que experimentou ao tentar vencer altura do Bussaco! — N'este mesmo dia, na passagem das tropas pela cidade, sucedeu grande barulho, metendo-se homens e mulheres que as acompanhavam pelas casas a roubar e foi então que lord Wellington mandou processar um soldado inglês, um paisano e duas mulheres
«4 — N'este dia permanecemos na mesma povoação de Parceiros, e a divisão toda ao pé e estava-se em duvida, se o inimigo continuava avançando sobre a nossa marcha. Dizia-se que tinha ido já á Figueira onde não encontrou senão os últimos doentes que para ali tinham si mandados. A ordem para a divisão, n'este dia, anunciava que em breve voltaríamos em alcance do inimigo. , j
« 5 — De manhã cedo recebemos ordem de marcha. pois que os franceses se tinham decidido a avançar. N'esta marcha, sendo tão regular quanto devia ser, recebemos elogios dos dois marechais que por nós passaram. — Soubemos que na madrugada tinha havido um choque entre a nossa cavalaria e a dos franceses, uma légua antes de Leiria. — Fizemos alto em um campo cerca dos Carvalhos.»
«6— Tivermos n'este dia por noticia, que o resultado do combate da véspera fôra perderem os franceses um coronel e dois capitães prisioneiros, e alguns soldados feridos, ficando um oficial inglês prisioneiro e outro ferido. — Continuamos a marcha ate Rio Maior, caminhando cinco léguas; chegamos ali de tarde, e permanecemos ate o outro dia.»
(in diário de um oficial português transcrito a pags 244 de “Excertos Históricos e Colecção de Documentos relativos á Gerra denominada da Península” por Cláudio de Chaby, Imprensa Nacional, 1871, Lisboa)
Na mesma publicação se relata que o coronel Nicolau Trant que comandava um dos "corpos volantes mandados pelos generais Miller e Manuel Pinto Bacelar, mediante activas e especiais operações tinham os franceses de Massena em quasi completo bloqueio, não lhes permitindo comunicar com o interior do país e com o vizinho Reino de Espanha", a " 7 de Outubro de 1810 tomou a cidade de Leiria. Nesse mesmo dia foi tomada Coimbra pela Artilharia 4º, Cavalaria 6, 11 e a Guarda Real da Polícia.
Fontes Francesas
Daniel Lacerda, um investigador de Monte Real há mais de 30 anos radicado em Paris, recuperou, em arquivos franceses, numerosos documentos manuscritos sobre a passagem dos exércitos de Napoleão pelo distrito. 0 resultado das pesquisas constituiu a sua intervenção no "II Colóquio sobre a Historia de Leiria e da sua região", cujas actas a autarquia publicou em livro, em 1995.
0 autor começa por retratar a marcha das tropas anglo-lusas comandadas por Wellington em direcção as Linhas de Torres, em Outubro de 1810, a destruição de tudo o que podia ser útil ao inimigo e à perseguição movida pelas tropas francesas a retaguarda aliada um pouco antes de Leiria.
"A cidade (Leiria) estava deserta como Viseu e Coimbra, as casas encontravam-se revolvidas com os moveis quebrados; o vinho escorria pelas ruas; não se encontrava ninguém a quem se pudesse falar e as patrulhas que percorriam os campos e aldeias trouxeram a noite apenas alguns camponeses cujas confissões se contradiziam", escreve Massena, comandante em chefe do exército francês durante a terceira Invasão, citado por Daniel Lacerda.
P reocupado com a desumanidade dos seus homens, pois temia ser prejudicial a sua própria estratégia, aquele general recorda que "ao chegar a Leiria o exercito estava esgotado de cansaço", devido a chuva e ao mau tempo. E lamenta que "os soldados, exasperados pelo sofrimento e ódio que inspiravam", se entregassem "a pilhagem e a destruição, perante a indiferença dos oficiais".
A barbárie francesa responderam com actos de bravura as forcas anglo-lusas e a guerrilha popular. Daniel Lacerda cita um relato do general Loison, o famoso "maneta", que fala de soldados franceses feitos prisioneiros após uma incursão nas localidades de Porto de Mos, Cela e São Martinho, em finais de Janeiro de 1811.
0 mesmo general, numa carta "bastante alarmista", previne Massena sobre as "perdas consideráveis" sofridas pelos seus homens entre Alcobaça e o Mondego. E conclui: "Destacamentos de diversos corpos instalam-se nas aldeias e todos os dias se deixam surpreender, quer pela coluna móvel inglesa, quer pelos camponeses. Os relatórios que me foram feitos dão conta da perda de uma centena de homens por dia. 0 incêndio e o assassinato atingem o alvo".
"Le Moniteur Universel", jornal oficial de Napoleão, na sua edição de 20 de Janeiro de 1811, publica a seguinte notícia, que diz ter sido tirada de uma carta de Wellington: "Os inimigos (os franceses) incendiaram algumas casas em Monte Real, no distrito de Leiria, para vingar a acção dum tenente (inglês), ajudante do general Blunt, o qual havia tornado nesta vila uma manada de vacas e morto dois soldados franceses". Finalmente, vencido no Buçaco e impedido de avançar até Lisboa, Massena decide retirar, tendo chegado a Pombal no dia 9 de Marco de 1811, onde foi derrotado durante uma escaramuça pelas forças de Wellington, tendo incendiado grande número de casas durante a fuga. 0 ultimo recontro entre tropas francesas e forças anglo-lusas na região aconteceu dois dias depois num desfiladeiro, entre Pombal e Redinha, que também foi vitima dos incêndios dos gauleses. A invasão atingiu o distrito de Leiria durante três longos anos. Mas, conclui Daniel Lacerda, "a vontade indomável dos 4 paisanos', a mobilidade das milícias e a acção serena mas de grande eficácia táctica de Wellington contrariaram o ambicioso intento do corso". Só falta evocar o papel desempenhado pela resistência popular.
Artigo escrito por Damião Leonel para um destacável publicado no Jornal de Leiria (nº 1095) de 7.7.2005.
Segundo um texto de 1874, de António Xavier Rodrigues Cordeiro, pag 26 e 27 de “Correspondência de Leiria” transcrito no “O Mensageiro” nº 1659, pag 4 de 1,9,1949, o “Gen Maragaron [Barão do Império em 1809 e Governador de Leipzig em 1813] entro em Leiria a 5.6.1808, à frente de 5000 homens para reprimir a cidade que se tinha revoltado contra o governo de Junot e porque na entrada tentaram opor-se-lhe umas centenas de populares mal armados, que se tinham entrincheirado no alto da Portela, e não quiseram render-se, caiu sobre os inconsiderados destroçando-os, e levando á ponta da baioneta quantos encontrou de vante de si. As vítimas desse dia, entre pessoas de todas os estados, sexo e idade subiram a 135.
Voltaram os franceses a ocupar Leiria desde 3 de Outubro de 1810 a 10 de Março de 1811 e nestes 5 meses reinou de novo a devastação, o incêndio e a morte. O bispado, que no princípio de Outubro de 1810 contava com 66.486 almas, não contava no fim das invasões mais de 37.582. apesar de neste período ter havido 113 nascimentos,
Quer dizer que havia menos de 29.017 indivíduos, e destes tinham sido mortes violentamente pelos franceses 1409. Os outros morreram ao desamparo, ou de doença ou viviam expatriados dos seus bens – tal consta de uma relação que o Bispo D. Manuel d’Aguiar exigiu aos párocos”
António X. Rodrigues Cordeiro aponta a seguinte evolução da população de Leiria: no século XIV (D. Dinis) a população era de 8.500 pessoas. Em 1417 (D. João I ) era pouco mais de 8.500. Num recenceamento em 1527 D. João III ) chegava a 10.525. Mas em 1810 já tinha triplicado para 31.588, mas em 1811, devido a doenças após as infasões francesas desceu para 18.386 (de 3.10.1810 a Junho de 1811 morreram violentamente ou por efeito de epidemia 13.749)
Em 1845 dobrou para 24.904, 1852 eram 32.348, em 1864 35.264 e em 1869 eram 38.785. O semanário "O Mensageiro" apontava, em 1940, 68.715 indivíduos vivendo em Leiria.

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