Cidade de Leiria
Tendo adquirido a categoria de cidade a 13 de Junho de 1545, Leiria é capital de distrito, vivendo essencialmente do comércio, agro-pecuária e indústria, donde se destaca o fabrico de plásticos, cimento e objectos de cerâmica. Embora o espaço empresarial seja composto essencialmente por pequenas empresas, o seu desenvolvimento tem fomentado a criação de emprego. Por outro lado, a existência de instituições de ensino superior, permite a maior qualificação da mão-de-obra relativamente às actividades em expansão na zona.
A cidade divide-se em duas partes distintas - a cidade velha, que respeita ainda a traça medieval, e a cidade nova, composta por edifícios e bairros de carácter mais urbano. Quem lá vai, deslumbra-se com uma cidade repleta de motivos de interesse cuja visita pode ser completada com um atraente passeio pela margem do rio Lis.
A paisagem refrescante do Pinhal de Leiria, mandado plantar, no século XIII, por D. Afonso III, convida-nos, hoje, a uma viagem bucólica através dos tempos em que aquele que foi o primeiro exemplo de monocultura intensiva do pinheiro bravo servia os interesses marítimos e comerciais do reino, nomeadamente na construção naval. Com D. Dinis intensificaram-se as sementeiras para suster o movimento das dunas e nos sécs. XV e XVI, com os Descobrimentos e a Expansão Marítima, para além da madeira, tirou-se partido do pez (alcatrão vegetal) para proteger as caravelas da impetuosidade do mar. Mais à frente, estendem-se as areias douradas da praia de Pedrógão onde as águas convidam à prática do surf.
Leiria tem sido, desde sempre, uma cidade de poetas e escritores destacando-se o Rei D. Dinis (1261-1325), poeta das "flores de verde pinho" e o grande escritor oitocentista Eça de Queiroz (1845-1900).
Inicialmente povoada pelos romanos, durante as guerras da Reconquista a zona transformou-se num ermo. Em 1135, D. Afonso Henriques tomou o castelo de Leiria, encontrando-se a região sob o domínio dos mouros. A vila cresceu muito rapidamente, entre os rios Lis e Lena, desenvolvendo-se o povoamento cristão em redor do castelo. Foi necessário erigir nova muralha e uma igreja maior, capaz de albergar todo o povo. Recebeu o seu primeiro foral em 1142, confirmado em 1195 por D. Sancho I e substituído a 1 de Maio de 1510 por foral novo outorgado por D. Manuel I. Em 1211, Leiria era composta já por cinco freguesias urbanas e cinco rurais.
Em 1254, o Rei D. Afonso II reuniu ali as primeiras cortes que implicaram, com certeza, a presença de muita gente. Isto significa que, àquela data, já Leiria possuía as infra-estruturas necessárias para receber um grande volume de visitante
Leiria Cultura e turismo.
Subordinada à presença do rio Lis e do seu afluente, o Lena, toda esta região se caracteriza quer pelos seus atractivos naturais, quer pelo seu património histórico. Uma das marcas deste concelho é sem dúvida a Mata Nacional de Leiria que se estende desde as areias da Marinha Grande até ao concelho de Leiria. A Mata Nacional de Leiria é historicamente famosa por estar ligada ao rei D. Dinis que ordenou grandes plantações de pinheiro bravo e estabeleceu as primeiras normas de ordenamento e gestão da mata. Com D. Fernando transformou-se na fonte principal de abastecimento de madeira para a construção naval. Um outro importante recurso natural e turístico deste concelho são as termas de Monte Real, localizadas entre Leiria e a praia da Vieira.
São vários os núcleos museológicos que se podem encontrar neste concelho: a Casa Museu João Soares; o Museu da Fábrica de Cimento da Maceira Liz; o Museu de Leiria; o Museu de Arte Sacra do Seminário Diocesano; o Museu Etnológico de Monte Redondo; o Museu Escolar dos Marrazes; e o Museu da Imagem.
Localizada na freguesia de Cortes, a poucos quilómetros de Leiria, na Casa-Museu João Soares funciona paralelamente à Fundação Mário Soares, sediada neste concelho. Aí está patente uma exposição permanente, dotada de meios audiovisuais, que apresenta uma visão sintética do Século XX Português. São também realizadas diversas exposições temporárias, quer exibindo as ofertas recebidas pelo Dr. Mário Soares ao longo da sua vida pública, como Primeiro-Ministro e depois como Presidente da República, quer sobre diversos temas de interesse cultural.
Já o Museu Municipal de Leiria, foi instituído por Decreto de 10 de Janeiro de 1917, por iniciativa de Tito Larcher, tendo funcionado durante 10 anos no palácio episcopal. O Museu de Leiria integra colecções de Arqueologia, Cerâmica, Escultura, Etnologia Africana, Mobiliário, Numismática, Pintura e Vidro.
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Economia
Caracterização económica
A caracterização económica de Leiria assenta, nos dias de hoje, pela seguinte ordem de importância: o sector terciário é o que tem maior relevo, seguido pelo secundário e com menor predominância o primário.
A caracterização da economia de Leiria remonta à época medieval, tendo sido, nessa altura um centro económico rico onde predominava o comércio de cereais e produtos alimentares, madeira, minérios e produtos artesanais.
Por volta de 1312, o final das guerras da reconquista conduziu esta zona no sentido da colonização e fomento da agricultura. Nesta época foi também semeado o pinhal, factor decisivo no desenvolvimento industrial.
Já no século XV, Leiria fica na história ao tornar-se a primeira cidade portuguesa a iniciar o fabrico de papel.
Hoje em dia, o destaque vai para os sectores secundário e terciário já que são aqueles que empregam a maior parte da população activa.
Actualmente Leiria vive sobretudo do Comércio, Agro-pecuária e Indústria.
Das empresas registadas no concelho, a maior parte dedicada-se ao comércio (grosso e retalho), reparação de automóveis e bens de uso pessoal, seguidas da construção civil, indústrias transformadoras e, por último, empresas dedicadas à agricultura, produção animal, caça e silvicultura.
Na indústria destaca-se o fabrico de plásticos, cimento e objectos de cerâmica.
Apesar de o espaço empresarial ser constituído por pequenas e médias empresas, o desenvolvimento da economia no concelho tem fomentado a criação de emprego.
Também a existência de várias instituições de ensino superior tem permitido uma maior qualificação da mão-de-obra relativamente às actividades em expansão na zona.
Apesar de, nos dias de hoje, ser o sector com menor predominância, o sector primário encontra-se marcado quer pelo impressionante pinhal, quer pelo rio Lis, cujas águas tornam as terras férteis, permitindo uma actividade mercantil e industrial que promovem iniciativas e vivências várias em Leiria.
Actualmente podemos considerar como culturas tradicionais da região, o cultivo do arroz, da fruta, do milho, do feijão, a hortaliça e as árvores de fruto.
A produção vinícola é predominante e os vinhos da região são de elevada graduação alcoólica.
Ver ainda:
- Associações e cooperativas de cariz económico
- Zonas industriais do concelho
- Referências históricas no tecido empresarial leiriense
Localização
Leiria
Localização geográfica
A cidade de Leiria é sede de concelho e capital de distrito do mesmo nome, situada na região centro do País, na Beira Litoral.
Com uma área geográfica de cerca de 565 quilómetros quadrados, tem uma população a rondar os 100 mil habitantes, distribuídos por 29 freguesias.
Leiria apresenta uma localização central, cruzada por caminhos que atravessam o país. Esta sua característica geográfica permitiu desde sempre um grande afluxo de pessoas. Contudo, longe de se transformar apenas num centro de passagem, Leiria soube fixar a população.
Tem como principais acessos o IC1, o IC36, a A1 e a A8.
Património Histórico
Fundada por D. Afonso Henriques em 1135, Leiria cresce à volta do monte vulcânico onde se encontra o castelo.
Os vestígios arqueológicos encontrados nesta zona remontam à pré-história mas pensa-se que Leiria terá nascido da Collipo romana, existente no século I a.C..
Com a afirmação da fé cristã e expansão do reino, D. Afonso Henriques toma o castelo aos mouros em 1135 e, sessenta anos mais tarde, acontece o último ataque aos muçulmanos.
Em 1192, D. Sancho I manda reconstruir a fortaleza e atribui-lhe foral em 1195, que vem confirmar o anteriormente atribuído por D. Afonso Henriques.
Apesar do rei Afonso III reunir cortes em Leiria, apenas no reinado de D. Dinis o castelo é decretado residência real.
A favorável conjuntura de desenvolvimento económico e social permite, no século XV, a criação da primeira fábrica de papel e de uma das primeiras oficinas tipográficas do reino.
O terceiro foral é atribuído por D. Manuel, em Maio de 1510.
Em 1545, Leiria adquire a categoria de cidade e, no mesmo ano, o Papa Paulo III eleva-a a sede de bispado.
Centro económico medieval próspero, aqui moraram três dos principais reis da formação e consolidação do Reino de Portugal, entre os quais se destaca D. Dinis, o rei Trovador.
Com as invasões napoleónicas, em 1808 e 1810, o património de Leiria ficou bastante prejudicado. Contudo, na cidade distingue-se ainda a zona velha, que respeita a traça medieval, e a zona nova, composta por edifícios e bairros de carácter mais urbano.
População
De acordo com os dados relativos aos censos de 2001, o concelho de Leiria apresenta uma população total de 119.870 habitantes.
A faixa etária predominante neste concelho é a que engloba os habitantes com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos.
Com um total de 65.116 habitantes, este grupo é seguido pela faixa etária que agrupa as crianças até aos 14 anos de idade, com 20.590 habitantes.
Os jovens entre os 15 e os 24 anos representam 17.449 habitantes.
Dos 16.715 leirienses com 65 ou mais anos de idade, a maioria, 9.474, são mulheres e 7.241 sã
Faixa
etária |
Homens
e Mulheres |
Homens |
Mulheres |
0 – 14 anos |
20.590 |
10.446 |
10.144 |
15 – 24 anos |
17.449 |
8.921 |
8.528 |
25 – 64 anos |
65.116 |
31.912 |
33.204 |
65 ou mais anos |
16.715 |
7.241 |
9.474 |
Total |
119.870 |
58.520 |
61.350 |
Turismo
Locais de interesse turístico
Os locais de interesse turístico em Leiria primam pela diversidade. Para além da Praia do Pedrógão, destaca-se ainda as Termas de Monte Real.
A riqueza do concelho está ainda presente no seu artesanato, na sua gastronomia e no vasto leque de entidades de índole cultural que fazem de Leiria sede do distrito.
Outros pontos de interesse turístico, mais relacionados com a Natureza, são:
Rio Lis
O rio Lis nasce no Lugar das Fontes, perto de Cortes, e desagua 39,5 quilómetros depois, no mar de Vieira.
Apresenta-se como um curso de água sereno cujo principal afluente é o rio Lena e, das suas margens, é possível contemplar o cenário onde o castelo está enquadrado.
As águas do rio Lis permitem um aproveitamento hidroagrícola, onde se destaca a cultura do milho, prados hortícolas e pomares.
Os arrozais podem também ser aqui encontrados.
A força motriz, a importância da água e as características de escoadouro natural deste rio, proporcionaram o desenvolvimento de algumas indústrias na zona envolvente.
São disso exemplo a moagem, onde era produzida farinha de milho, farinha de trigo e, ultimamente, rações concentradas. Destaque ainda para o Lagar de azeite que foi propriedade de Afonso Lopes Vieira; para os vários moinhos de água, e indústria de curtumes e geradora de energia eléctrica.
Lapedo
O vale do Lapedo, com cerca de um quilómetro e meio de extensão, apresenta-se como uma área de grande importância geomorfológica.
Situado nas freguesias de Caranguejeira e Santa Eufémia, a sua formação, na era Quaternária, deve-se à passagem das águas da ribeira de Caranguejeira.
A diversidade de fauna e flora é também uma característica digna de distinção. Neste local, é possível encontrar algumas espécies como o chapim, gralha preta, águia de asa redonda, ratos do campo, salamandras e morcegos.
Da flora típica do Lapedo, destaca-se a vegetação ripícola (amieiros, salgueiros, freixos, choupos e vide branca), matos mistos e áreas de carvalho cerquinha.
Com o achado arqueológico do "Menino do Lapedo", o esqueleto de uma criança do paleolítico superior, entre 25 e 30 anos a.C., tornou-se fundamental a classificação desta zona, como zona protegida.
Mata dos Marrazes
A Mata dos Marrazes foi criada, em 1903, no intuito de arborizar os terrenos incultos da região.
É o resultado de três charnecas: Charneca dos Marrazes, Charneca dos Pinheiros e Charnecas das Quintas.
Outros locais de interesse:
| Jardim Luís de Camões - Leiria |
Vista do Castelo - Leiria |
Miradouro da Senhora da Encarnação - Leiria |
Miradouro da Senhora do Monte - Cortes |
| Miradouro de S. Sebastião - Barreira |
Parque de Leiria - Leiria |
Pinhal das Dunas do Lis - Coimbrão |
Pinhal do Pedrógão - Coimbrão |
| Pinhal do Carriço - Sesmarias |
Pinhal do Concelho - Coimbrão |
Pinhal do Carriço - Sesmarias |
Pinhal do Concelho - Coimbrão |
| Ribeira da Caranguejeira - Vale da Rosa |
Ribeira da Carreira - Monte Real |
Ribeira da Ortigosa - Ortigosa |
Ribeira da Várzea - Azóia |
| Ribeira das Chitas - Pousos |
Ribeira de Agodim - Colmeias |
Ribeira de Amor - Amor |
Ribeira da Maceira - Maceira |
| Ribeira dos Milagres - Milagres |
Ribeira do Vale Sobreiro |
Ribeira do Souto - Monte Real |
Ribeira do Sirol - Pousos |
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